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História da Rádio Gazeta

por Paulo Camarda, presidente da
Fundação Cásper Líbero

 

Liderando os meios de comunicação em São Paulo, Cásper Líbero adquiriu a Rádio Educadora Paulista em março de 1943 e a transformou na Rádio Gazeta PRA-6 – A Emissora de Elite. O slogan não se referia a uma elite econômica, mas sim cultural.
Contratou o melhor profissional do mercado para a área comercial, Renato Macedo, pagando-lhe uma “fortuna” à época – 20% do faturamento bruto da emissora – pois para Cásper a qualidade era fundamental. Contratou também os melhores locutores do mercado.
Com a compra da emissora, segundo informações da época, ele trouxe 150 mil discos de acetato, um acervo inigualável, único no país, dedicado principalmente a pesquisa.
Hoje, fala-se em cerca de 120 mil discos e continua a ser o maior acervo do Brasil.

Com o material preservado em nossa discoteca é possível se contar a história da fonografia nacional e internacional. Temos discos em 78 rotações, 16, 12, 10 e 7 polegadas e raridades não mais encontradas em nenhum outro acervo, como por exemplo a coleção completa de discos e compactos do cantor Nelson Ned e outras até mais importantes.

Com a preocupação de preservar todo esse material tão importante para a Cultura Nacional, estamos digitalizando a nossa discoteca.
Infelizmente, Cásper Líbero dirigiu a Rádio Gazeta apenas 5 meses, pois faleceu em acidente aéreo em agosto daquele ano.

A Gazeta já destacava-se das demais emissoras desde o início, dispondo de uma orquestra sinfônica, um coral lírico, um conjunto de jazz, pianistas e cantores de nível internacional.

Os programas eram transmitidos diretamente do auditório, com ingressos distribuídos gratuitamente e disputadíssimos. Sua programação era inesquecível.

A orquestra sinfônica era regida inicialmente pelo Maestro Souza Lima, conhecido como “o príncipe dos pianistas brasileiros”. Foi substituído pelo Maestro Edoardo di Guarnieri e, posteriormente, pelo Maestro Armando Belardi, contratado como Diretor Artístico, destacando-se no ar com 3 programas: Cortina Lírica, Grande Soirée de Gala e Teatro de Operetas.

Ele atuou na emissora até 1960.

Um dos programas que mais se destacou na Rádio, com maior audiência, foi o de Vera Janacópulos, chamado “Música dos Mestres”, que era transmitido de segunda a sábado, das 13 às 14 horas. Vera era nascida no Rio de Janeiro, em Petrópolis, mas estudou por 4 anos na França, interpretando os grandes autores franceses. Na volta, radicou-se em São Paulo, em 1940, e atuou na Rádio Gazeta por 8 anos – seu prefixo ficou gravado na memória dos ouvintes fiéis – “Ária da corda sol, de Bach”.

Um dos grandes profissionais que também trabalhou na Rádio Gazeta foi Antonio Sergi. Formado em medicina, foi contratado como “médico visitador”, mas se destacou na sua verdadeira vocação como o famoso Maestro Totó, exímio pianista e grande arranjador.

Como maestro, regia grandes orquestras sinfônicas, acompanhando importantes cantores da época, não só brasileiros como estrangeiros que se apresentavam na Rádio, principalmente intérpretes de músicas eruditas.

Como pianista, era responsável por um conjunto musical de jazz que se apresentava ao vivo em programas de auditório, com grande sucesso. Os ingressos para esses espetáculos também eram gratuitos e formavam-se filas enormes de público para obtê-los, principalmente aos sábados.

A Rádio Gazeta tinha um cast de músicos, cantores e cantoras líricos de primeiríssima grandeza. Todos comandados pelo maestro Belardi, que também regia espetáculos no Teatro Municipal. A importância de nosso elenco era tão grande que, muitas vezes, quando algum integrante do cast não podia cantar no Municipal, por qualquer razão, os espetáculos chegavam a ser cancelados.

O timbre de voz dos locutores era tão marcante que se fechássemos os olhos e mexêssemos no dial do aparelho, facilmente conseguiríamos identificar a Gazeta AM. As vozes eram diferenciadas. Havia um locutor chamado Elcio Pinto & Silva que tinha uma voz tão bonita que chegava a causar histeria nas mulheres.

No começo da Rádio Gazeta, Jingles não eram veiculados. Havia somente propaganda falada, enfatizada pelo timbre de voz de seus locutores. O respeito com o público era o primordial, tanto que os comerciais ocorriam com intervalos de tempo entre si, visando à qualidade da programação e a manutenção do índice de audiência.

Lembro-me de Raul Laranjeira, um excelente músico e da excepcional cantora lírica Agnes Ayres, conhecida à época como “A Voz de Ouro”.

Outra figura importante da Rádio Gazeta foi Caetano Dondon, responsável por um fichário super organizado do Departamento de Musicoteca. Um homem boníssimo, tranqüilo, calmo e que tinha que ter esse temperamento para poder conviver em harmonia com o “explosivo” maestro-chefe Armando Belardi.

Lembro-me, também, de Samuel Hiller, grande profissional do Departamento Artístico, responsável pela programação da FM na Rádio Gazeta, que em meados dos anos 70, com o som ainda em sistema mono, apresentava músicas populares que fizeram história nas décadas de 40-50.

Infelizmente, falecido prematuramente, não chegou a ver a implantação de novos e modernos equipamentos na Rádio.

Lembro-me ainda de Itá Ferraz de Campos, um excelente locutor que fez muito sucesso na emissora, chegando a ser inclusive Diretor da Rádio e que na grande crise da década de 60 assumiu o cargo de Presidente interino do Conselho Diretor, em substituição ao titular, Sr. João Francisco Ferreira Jorge, afastado por motivo de doença.

Itá foi o grande responsável pelo convite ao empresário Octávio Frias de Oliveira, da Empresa Folha da Manhã, que o substituiu na Presidência em setembro de 1968, trazendo consigo o seu sócio, Sr. Carlos Caldeira Filho como vice-presidente. Com medidas drásticas, mas necessárias, salvou a Fundação do estado de insolvência em que se encontrava no final da década de 60.

Para finalizar, é importante citar que a Rádio Gazeta AM passou a ser dirigida pela Faculdade Cásper Líbero a partir de 1º de julho de 2009 e conta com a intensa participação dos estudantes em atividades diárias, seja na atuação de estágio, monitoria ou atividades laboratoriais.

Dessa forma, em conjunto com os profissionais da emissora e os professores da instituição de ensino, os estudantes vivenciam o exercício da profissão das áreas da comunicação e realizam atividade complementar ao ensino superior.