Acessibilidade para Deficientes

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Reportagem sobre a acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva ou visual.

 

A acessibilidade é um tema extremamente importante e deve ter mais destaque em um país como o Brasil que, segundo o Censo 201o, tem aproximadamente 46 milhões de pessoas com deficiência.

Pensando nisso, as colaboradoras do Almanaque Gazeta Lorena Reis (1º ano de Jornalismo) e Mariana Caruso (1º ano de Publicidade e Propaganda) produziram uma reportagem que trouxe informações sobre a técnica do recurso de audiodescrição em entrevista com a audiodescritora Lívia Motta. A matéria também apresentou o universo da pessoa com deficiência visual com a participação de José Vicente, fundador e coordenador da Organização Amigos para Valer.

Pela primeira vez no site da Gazeta AM, além do áudio, há a transcrição completa da reportagem, para que deficientes auditivos possam conferi-la.

Texto da matéria na íntegra:

 

Mariana Caruso: Lorena, você já ouviu falar da lei regulamentada pela ANCINE, a Agência Nacional do Cinema, de inclusão aos deficientes visuais e auditivos nas salas de cinema?

Lorena Reis: Eu não, Mari, como é que é isso?

Mariana Caruso: No final de 2016 foram anunciadas normas e critérios que regulamentam o fornecimento de recursos de acessibilidade visual e auditiva nos segmentos de distribuição e exibição cinematográfica. Em 2 anos, todo o parque exibidor deverá contar com os recursos de legendagem descritiva, audiodescrição e libras. Os recursos serão providos na modalidade que permita o acesso individual ao conteúdo especial, sem interferir na fruição dos demais espectadores.

Lorena Reis: Poxa, Mari, que bacana. Eu diria que é muito importante falar sobre a acessibilidade nos dias de hoje, porque é um tema ainda muito subestimado pela nossa sociedade e o governo não dá a devida atenção ao problema. Falta muita informação. Você já parou para pensar que os deficientes visuais, por exemplo, dependem de alguém para atravessar a rua ou utilizar um ônibus?

Mariana Caruso: É difícil nos colocarmos no lugar dessas pessoas, e é por isso que falamos com Lívia Motta, audiodescritora e formadora de audiodescritores, que nos explica um pouco sobre o recurso.

Lívia Motta: Um recurso de acessibilidade comunicacional que amplia o entendimento das pessoas com deficiência visual em espetáculos, eventos e produtos audiovisuais por meio de informação sonora. Os audiodescritores transformam imagens em palavras permitindo, desta forma, um maior acesso à informação e à cultura. É um recurso de suma importância, pois permite uma equiparação de oportunidades, uma participação mais plena, principalmente nas atividades culturais. Ele destina-se principalmente a pessoas com deficiência visual, entretanto, pode beneficiar a outros públicos, como pessoas com deficiência intelectual, idosos, pessoas com déficit de atenção, dislexia, autistas e outros. Entretanto o recurso ainda é desconhecido pela maioria das pessoas e até de pessoas com deficiência intelectual.

Lorena Reis: Lívia ainda tem uma mensagem com dicas sobre como podemos contribuir com a inclusão dessas pessoas.

Lívia Motta: As pessoas podem contribuir para uma maior inclusão das pessoas com deficiência na sociedade, principalmente desconstruindo as barreiras atitudinais, ou seja, esses sentidos negativos que são atribuídos as pessoas com deficiência. Pessoas com deficiência trabalham, estudam e podem participar ativamente na vida da sociedade, principalmente devido a tecnologia e devido aos recursos de acessibilidade.

Lorena Reis: Milhões de brasileiros e brasileiras ainda sofrem com a falta de recursos, não só em meios públicos e cinemas, mas também em espaços como teatros e museus. Segundo o censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2010, 45,6 milhões de pessoas têm alguma deficiência no país e têm o acesso à cultura dificultado.

Mariana Caruso: Conversamos com José Vicente de Paula, deficiente visual e fundador e coordenador da Organização Amigos para Valer, que analisa a situação do nosso país em relação à inclusão.

José Vicente: No meu entender, a inclusão social no Brasil está caminhando, mas pode melhorar na questão de ser mais urgente. Eu entendo que deveríamos nos preocupar mais com a qualificação da pessoa com deficiência e a conscientização dos empresários e o governo participar com a sua liderança. Com isso acontecendo, tudo vai rodar melhor. Eu acho que o que pode continuar é a acessibilidade arquitetônica, as ruas sendo melhoradas e, como eu disse anteriormente, a qualificação da pessoa com deficiência. E, caminhando junto, mesmo que não seja tão às pressas, a gente acredita que chega lá.

Lorena Reis: José Vicente ainda comenta sobre importância da audiodescrição.

José Vicente: Bom, eu tenho repetido que a audiodescrição para uma pessoa com deficiência visual é uma ilustração. Ela nos deixa tudo mais claro, tudo mais bonito; o teatro, o cinema, uma ópera, porque ela transforma as ações em palavras, ou obras em palavras. Para vocês entenderem, é como se a gente ouvisse uma partida de futebol pela rádio e no outro dia eu vou entender e comentar com meus colegas como se eu tivesse visto a partida de futebol pessoalmente ou pela televisão. É muito legal!

Lorena Reis: Obrigada a Lívia e ao José pelos depoimentos, e esperamos que mais pessoas se conscientizem sobre o assunto para que caminhemos para um país cada vez mais inclusivo.

Mariana Caruso: Lorena Reis e Mariana Caruso, para a Rádio Gazeta AM.

Ouça a reportagem na íntegra:

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